Meu querido anjo negro tens o rosto tão puro como de uma criança,
mas o teu coração é tão frio como o gelo.

Em teus olhos guardas as experiências noturnas já vividas.

Vejo teu sorriso brilhar na noite quando dominas a escuridão,
meu coração bate acelerado e meu corpo queima anciando o teu abraço.

Então o vejo surgir das sombras,
e em seus lábios vermelhos um sorriso, talvez um brilho, eu não sei...

Com sua voz doce e aveludada disse:
- Bem-vinda ao beijo eterno, jamais desejaras outro beijo senão a este.

O mundo é um vampiro sugando nossas vidas e devastando nossas mentes,
dono dos meus delírios noturnos e companheiro de minhas aventuras soturnas.

Ás vezes sinto como se estivesse caindo em um ninho de pássaros negros,
e que de noite na cama afogo-me em insanos desejos.


Como nas páginas negras de um livro,
vejo minha vida passar dentro desse decrépito mundo!


Onde desvendar os mistérios do coração e encontrar uma resposta, é mera ilusão.


Os anjos são tudo que vejo quando olho para o céu.
E quando te vejo sorrir no meio  de toda turbulência,
sereno e calmo, como se um anjo lhe houvesse murmurado um segredo ao ouvido.

Perdida em meus pensamentos, não havia percebido,
que o sol já começara a descer no horizonte lívido.

E por entre as rosas, as flores e as sombras do crepúsculo;
o vejo aproximar-se, tão vago e ao mesmo tempo tão concreto...

Lembro daquela noite de inverno, éramos como crianças da noite,
procurando o caminho do céu, afogando-se em desejos e descobrindo nossos doces mistérios.

Isabelle esta sonhando;
Sonhando com um anjo.

E se ela acordar? e perceber que é apenas um sonho?

Mas o anjo, o qual ela estava sonhando,
a acorda daquele sonho tão fascinante.

E ela assustada pensou que estava morta!

Correu para o espelho, e observou o seu rosto,
não havia sinal algum da morte.

Ela sorriu aliviada e falou:
- És tu meu anjo?
estás á brincar comigo outra vez?

E o anjo por sua vez, docemente a pega em seus braços,
e juntos retornam ao sonho.

Pois lá, poderão tornar realidade seus mais íntimos desejos.

Há uma solidão que me invade,
e é tão sufocante quanto o ódio que habita em mim.

Ouço risos no silêncio,
tenho medo das paredes, porque elas me sufocam,
porém o que esta lá fora é o que mais me aflige.

Até posso sentir o bater da escuridão em meu rosto,
então deito na cama e volto a dormir mas logo acordo,
molhada de suor, aquele pesadelo maldito voltou a me atormentar.

Abro a janela, esta ventando forte
sinto o cheiro da chuva, ouço trovões ecoarem no horizonte sombrio.

E as primeiras gotas de chuva começam a cair
volto para cama e tento dormir, mas vejo que não vou conseguir
pois sinto o pesadelo voltando novamente.

Sinto também que será mais uma noite de insônia,
acompanhada do pesadelo e das sombras da parede

Pessoas tão pálidas vagam pela noite,
como pequenas estrelas frias e tristes.

Na verdade são vidas noturnas,
transformadas em sombras sem rostos.

As Cidades a noite, na realidade são negras cidades da solidão,
e que aos poucos vão nos devastando e nos ancorando na escuridão.

O silêncio é alguém que ouve-me e que me observa.

E por incrível que pareça, no meio das sombras,
uma luz fria quase que se apagando, vi surgi um anjo.

E sua voz melodiosa chegou aos meus ouvidos:
- Porque estás com medo criatura? não vês que é apenas um sonho?

Noites acalentadas na alma silenciosa de um poeta embriagado
não só pelo vinho seu velho companheiro, mas também pelo amor.

Ah! o amor...
Sentimento este que nos leva a loucura,
e porque não dizer que ele é a total ruptura dos nossos anseios e desejos.

Penso nas rosas, e se elas falassem?
contariam-me segredos?

Mas em sua total soberania e beleza,
elas não falam, estão mortas.

Neste quarto em que estou trancada com os meus fantasmas,
está mais escuro que a noite lá fora.

Converso com o anjo pálido da morte,
Ah! Deus... é apenas mais um delírio,
porque eu sei que sou um vulto sozinho na escuridão.

E as rosas?
As rosas? elas realmente não falam,
e como eu apenas morrem de solidão. 

O céu esta negro como águas noturnas,
sinto o gosto do êxtase de teus beijos e de teu desejo
escorrendo em minha garganta e afundando em meu peito.


E eu me pergunto: é esta a fome do luar pela qual tanto anseio?
nesta noite fria e familiar?


Parece que toda minha vida é esta noite, aliás como todas as outras.

Desejei chorar, ao ver tudo sombrio e convidativo.


Oh! lua pálido sol de minhas noites,
ouço tua voz que me diz algo secreto e misterioso.

E como uma sombra eu aguardo o silêncio,
mas vejo que me engara, pois o silêncio já me aguardava.


E a espera?
Ah! essa era como um prazer devastador.


Então durmo em meio a suores noturnos, derivados de um sonho louco e demente,
e eu sabia que a fome iria voltar novamente, e como sempre sedenta e doente.


Nas horas que passam silensiosas, fragrâncias suaves e inocentes,
revelam fantasias sombrias de um sonho louco e febril.

O céu está pálido, aguardando apenas o crepúsculo.

- O que fazes tu aí parada como uma estátua?
- Eu estou aqui angustiada, esperando beijos da noite.
Beijos tão sombrios quanto os teus.

Ás vezes acho que estou enloquecendo!
pois tento ouvir o silêncio, mas só ouço a solidão.

Chego mesmo a pensar que tu estas apenas repousando,
E que logo estarás aqui comigo.

Mas a noite está chegando e o meu belo crepúsculo esta se dissipando,
e com ele os meus sonhos mais secretos.
 

Ao anoitecer ficamos sempre em silêncio;
para ouvir nossos corações falarem de belos e íntimos segredos.

Ás vezes algumas palavras são sussurradas,
mas que logo se perdem no vento.
algo sobre a morte? não sei... talvez.


Sinto como se nossas almas e a alma da noite, se tranformassem em uma só.


Somos como crianças  que brincam na escuridão do dia das bruxas;
só que em nossas bolsas, temos mais travessuras do que doces.


Então, dançaremos á luz do luar!
será como se estivéssemos em um jardim silencioso,
com apenas a lua para nos observar.


Mas agora durma meu pobre anjo;
porque esta noite, estarás seguro em teu leito, sonhando com os teus antigos desejos.
 

A noite é tão vasta na cidade dos mistérios;
elegante mas ao mesmo tempo decadente.
Ouço a noite me chamar, gostaria de que ela me levasse;
com seus desejos e mistérios, e com apenas a lua a nos guiar.
Como um vampiro sugarei vidas!
pois o meu coração suplica por esse amor.

Ouço os teus íntimos espasmos....
fico tonto, embriagado de prazer.

Realmente o desejo envenenou minha alma,
como o vinho envenena minhas veais.

Ah! pobre Romeu, o que estas fazendo?
sonhando novamente? 

Necessito de sua presença.
Sua aparência mórbida me fascina.
Seu olhar triste penetra-me a alma, e  toca em meu ser fazendo-me sentir bem.

E como uma criança, me perco em teus lábios profanos,
Você que acolhe os loucos com prazer e os faz felizes em seus devaneios insanos.

Acolha-me também e faça-me feliz.
Mas que felicidade tão mortal é essa,
Que me atrai tanto?
Não consigo entender.

O ar noturno que respiro tem o seu cheiro,
E isso me faz estremecer.
Proteja-me esta noite,
Seja minha!

Como poderei recompensá-la?
Com um beijo?
Talvez...

Dizem que a morte sempre leva seus amantes para o cemitério do amor.
Será que a nudez do corpo é mais importante que a nudez da alma?

Corre um laço de sangue e espermas
E uma estranha fragrância de gozos mórbidos e palavras eloquentes sussurradas na noite.

As sombras que protegem os amantes e que ocultam nossos desejos,
São as sombras que habitam na alma de um poeta embriagado de amor,
Tal como quem olha para o seu próprio túmulo.

Ah! Está noite, morrerei contente;
Como um doce pássaro doente.

 Dedico este poema á Camille Claudel

Os lábios da noite, murmuram-me eloquentes segredos
Ouço um bater de asas negras,
Não era um pássaro;
Talvez um morcego;
Que desapareceu na escuridão.

A leve batida das asas,
Mais parecia o palpitar do meu coração.

E esta angustia sufocada em meu peito?  invadindo o meu ser
Como um triste grito.

E nas horas caladas desta negra noite
Tenho como companheira, apenas a solidão.

E se eu gritasse?
Quem iria ouvir-me?
O exercito dos anjos?
Não!

Os anjos apenas repousam
Observando a multidão silenciosa.

Pobre anjo cujas asas brancas desbotam à claridade
sombria dos lampiões.

És o anjo perdido da loucura?
Ou uma ilusão?

E como uma figura pálida que Surge da penumbra,
Trazendo consigo uma fragrância de querubim.

Beijaste-me, um beijo tão doce
Fiquei em silêncio, tremulo...
Com medo que fosse apenas uma visão.

Mas quem és tu criatura noturna? que anda solitária
pela noite;
Serei eu, teu pálido amante?

Eis-me aqui parada
Fitando o vazio
Horas a fio.

Perdida em meus pensamentos
A relembrar outrora;
O vento que afaga os meus cabelos
Os sonhos que já se foram
E tu, amado meu? onde estarás agora?


Quero afogar-me em teus beijos
e sonhar nos teus braços.

E eis que surgi mansinho
Sorrateiro como quem não quer nada.

Mas sei o que queres é carinho, pois isso posso ver;
E nas horas mais tardias desta noite sombria, é o meu
nome que chamas, é o meu corpo que desejas.

Então vem!
Irei te fazer meu como já foste um dia.

As nuvens pretas refletiam-se na água
Pássaros negros me vigiavam do céu;
Pássaros, anjos que vêm no silêncio da noite.

E a lua com seu brilho mórbido,
Meus olhos frios, a contemplar o vazio.

Vejo com indiferença o seu aspecto banal,
Que agora passa sem tocar-me
e meus lábios imóveis, guardam um silêncio;
Um mórbido silêncio...

Nenhum grito, nenhuma dor
Apenas o silêncio.

Mas, um sussurro doce, chega aos meus ouvidos
embriagando minha mente,
Levando embora até o meu último  suspiro.

Sinto um beijo, um único beijo
Sugando a minha alma,
Será a morte ou um triste desejo?

Estou voando, voando como um anjo
Não! Eu sou um anjo.

Batendo as asas e sentindo o vento acariciar-me a face
Sinto como se estivesse mesmo indo para o paraíso.

Então, me vejo sozinho
Perdido em meus pensamentos...

Será que posso ser seu anjo da guarda?
Mas, afinal, quem irá me guardar quando eu estiver com você?

Quis chegar perto de ti,
Mas sinto que não posso,
Acho que cortaram minhas asas outra vez.

Olho o céu, e as estrelas me dizem algo.

Penso em teus beijos, e afogo-me em sonho tão claros que chego a pensar,
Será tudo isso verdade?

Em teu corpo me perco,
viro criança e brinco com os teus desejos.

Teu corpo exala o amor
E teus olhos tão doces me dizem palavras que teus lábios
querem dizer, mas estão ocupados.

Então, as estrelas me trazem de volta, e olho a noite
escura e o vento que levou embora os meus pensamentos,
E volto para a cama, querendo que fosse para teus braços.

- Quem és?
- Eu, o teu carrasco.
- O que queres de mim?
- De ti? Nada.
Mas de tua alma tudo, de teu sangue o gosto e de teu pescoço, o gozo.

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