Há uma solidão que me invade,
e é tão sufocante quanto o ódio que habita em mim.

Ouço risos no silêncio,
tenho medo das paredes, porque elas me sufocam,
porém o que esta lá fora é o que mais me aflige.

Até posso sentir o bater da escuridão em meu rosto,
então deito na cama e volto a dormir mas logo acordo,
molhada de suor, aquele pesadelo maldito voltou a me atormentar.

Abro a janela, esta ventando forte
sinto o cheiro da chuva, ouço trovões ecoarem no horizonte sombrio.

E as primeiras gotas de chuva começam a cair
volto para cama e tento dormir, mas vejo que não vou conseguir
pois sinto o pesadelo voltando novamente.

Sinto também que será mais uma noite de insônia,
acompanhada do pesadelo e das sombras da parede

Pessoas tão pálidas vagam pela noite,
como pequenas estrelas frias e tristes.

Na verdade são vidas noturnas,
transformadas em sombras sem rostos.

As Cidades a noite, na realidade são negras cidades da solidão,
e que aos poucos vão nos devastando e nos ancorando na escuridão.

O silêncio é alguém que ouve-me e que me observa.

E por incrível que pareça, no meio das sombras,
uma luz fria quase que se apagando, vi surgi um anjo.

E sua voz melodiosa chegou aos meus ouvidos:
- Porque estás com medo criatura? não vês que é apenas um sonho?

Noites acalentadas na alma silenciosa de um poeta embriagado
não só pelo vinho seu velho companheiro, mas também pelo amor.

Ah! o amor...
Sentimento este que nos leva a loucura,
e porque não dizer que ele é a total ruptura dos nossos anseios e desejos.

Penso nas rosas, e se elas falassem?
contariam-me segredos?

Mas em sua total soberania e beleza,
elas não falam, estão mortas.

Neste quarto em que estou trancada com os meus fantasmas,
está mais escuro que a noite lá fora.

Converso com o anjo pálido da morte,
Ah! Deus... é apenas mais um delírio,
porque eu sei que sou um vulto sozinho na escuridão.

E as rosas?
As rosas? elas realmente não falam,
e como eu apenas morrem de solidão. 

O céu esta negro como águas noturnas,
sinto o gosto do êxtase de teus beijos e de teu desejo
escorrendo em minha garganta e afundando em meu peito.


E eu me pergunto: é esta a fome do luar pela qual tanto anseio?
nesta noite fria e familiar?


Parece que toda minha vida é esta noite, aliás como todas as outras.

Desejei chorar, ao ver tudo sombrio e convidativo.


Oh! lua pálido sol de minhas noites,
ouço tua voz que me diz algo secreto e misterioso.

E como uma sombra eu aguardo o silêncio,
mas vejo que me engara, pois o silêncio já me aguardava.


E a espera?
Ah! essa era como um prazer devastador.


Então durmo em meio a suores noturnos, derivados de um sonho louco e demente,
e eu sabia que a fome iria voltar novamente, e como sempre sedenta e doente.


Nas horas que passam silensiosas, fragrâncias suaves e inocentes,
revelam fantasias sombrias de um sonho louco e febril.

O céu está pálido, aguardando apenas o crepúsculo.

- O que fazes tu aí parada como uma estátua?
- Eu estou aqui angustiada, esperando beijos da noite.
Beijos tão sombrios quanto os teus.

Ás vezes acho que estou enloquecendo!
pois tento ouvir o silêncio, mas só ouço a solidão.

Chego mesmo a pensar que tu estas apenas repousando,
E que logo estarás aqui comigo.

Mas a noite está chegando e o meu belo crepúsculo esta se dissipando,
e com ele os meus sonhos mais secretos.
 

Ao anoitecer ficamos sempre em silêncio;
para ouvir nossos corações falarem de belos e íntimos segredos.

Ás vezes algumas palavras são sussurradas,
mas que logo se perdem no vento.
algo sobre a morte? não sei... talvez.


Sinto como se nossas almas e a alma da noite, se tranformassem em uma só.


Somos como crianças  que brincam na escuridão do dia das bruxas;
só que em nossas bolsas, temos mais travessuras do que doces.


Então, dançaremos á luz do luar!
será como se estivéssemos em um jardim silencioso,
com apenas a lua para nos observar.


Mas agora durma meu pobre anjo;
porque esta noite, estarás seguro em teu leito, sonhando com os teus antigos desejos.
 

A noite é tão vasta na cidade dos mistérios;
elegante mas ao mesmo tempo decadente.
Ouço a noite me chamar, gostaria de que ela me levasse;
com seus desejos e mistérios, e com apenas a lua a nos guiar.
Como um vampiro sugarei vidas!
pois o meu coração suplica por esse amor.

Ouço os teus íntimos espasmos....
fico tonto, embriagado de prazer.

Realmente o desejo envenenou minha alma,
como o vinho envenena minhas veais.

Ah! pobre Romeu, o que estas fazendo?
sonhando novamente? 

Necessito de sua presença.
Sua aparência mórbida me fascina.
Seu olhar triste penetra-me a alma, e  toca em meu ser fazendo-me sentir bem.

E como uma criança, me perco em teus lábios profanos,
Você que acolhe os loucos com prazer e os faz felizes em seus devaneios insanos.

Acolha-me também e faça-me feliz.
Mas que felicidade tão mortal é essa,
Que me atrai tanto?
Não consigo entender.

O ar noturno que respiro tem o seu cheiro,
E isso me faz estremecer.
Proteja-me esta noite,
Seja minha!

Como poderei recompensá-la?
Com um beijo?
Talvez...

Dizem que a morte sempre leva seus amantes para o cemitério do amor.
Será que a nudez do corpo é mais importante que a nudez da alma?

Corre um laço de sangue e espermas
E uma estranha fragrância de gozos mórbidos e palavras eloquentes sussurradas na noite.

As sombras que protegem os amantes e que ocultam nossos desejos,
São as sombras que habitam na alma de um poeta embriagado de amor,
Tal como quem olha para o seu próprio túmulo.

Ah! Está noite, morrerei contente;
Como um doce pássaro doente.

 Dedico este poema á Camille Claudel

Os lábios da noite, murmuram-me eloquentes segredos
Ouço um bater de asas negras,
Não era um pássaro;
Talvez um morcego;
Que desapareceu na escuridão.

A leve batida das asas,
Mais parecia o palpitar do meu coração.

E esta angustia sufocada em meu peito?  invadindo o meu ser
Como um triste grito.

E nas horas caladas desta negra noite
Tenho como companheira, apenas a solidão.

E se eu gritasse?
Quem iria ouvir-me?
O exercito dos anjos?
Não!

Os anjos apenas repousam
Observando a multidão silenciosa.

Pobre anjo cujas asas brancas desbotam à claridade
sombria dos lampiões.

És o anjo perdido da loucura?
Ou uma ilusão?

E como uma figura pálida que Surge da penumbra,
Trazendo consigo uma fragrância de querubim.

Beijaste-me, um beijo tão doce
Fiquei em silêncio, tremulo...
Com medo que fosse apenas uma visão.

Mas quem és tu criatura noturna? que anda solitária
pela noite;
Serei eu, teu pálido amante?

Eis-me aqui parada
Fitando o vazio
Horas a fio.

Perdida em meus pensamentos
A relembrar outrora;
O vento que afaga os meus cabelos
Os sonhos que já se foram
E tu, amado meu? onde estarás agora?


Quero afogar-me em teus beijos
e sonhar nos teus braços.

E eis que surgi mansinho
Sorrateiro como quem não quer nada.

Mas sei o que queres é carinho, pois isso posso ver;
E nas horas mais tardias desta noite sombria, é o meu
nome que chamas, é o meu corpo que desejas.

Então vem!
Irei te fazer meu como já foste um dia.

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